Histórias de minha vida...

Caminhos Perdidos

A história de Carminha


Um dia como era de costume, eu, então com 19 anos sai com seus quatro irmãos mais novos, Antônio, Teresa, Valda e Almir para catar castanhas na mata.Mas, aquele não foi um dia tão comum como os outros...

O ano era 1979, no dia 28 mês de outubro, eram umas duas horas da tarde mais ou menos. quando eu e meus irmãos sabiam o que tinham de fazer: catar o máximo de castanhas possíveis para poderem vender, já que isso ajudava muito dentro de casa, e irem embora antes de anoitecer, pois sabiamos que a mata durante à noite não era nada agradável.

Apesar das dificuldades que enfrentavam na vida sofrida da roça, vindo de um pai que passava dificuldades e que nem sempre estava tão presente como gostaria. Eu tinha uma vida feliz apesar de trabalhar muito duro ajudando meus pais, mas o que eu queria muito mesmo era ser alguém na vida, por isso, queria vender a castanha - do - Pará e, ter o dinheiro para poder sair de onde morava para poder estudar e, isto, era o seu maior sonho. Naquele dia em especial, eu, estava um tanto distraída cantando e assobiando quando meus irmãos me chamaram para ir de volta para casa e então, eu falei a eles que poderiam irem andando que eu já estava indo também.Mas,quando eu percebi, meus meus irmãos já tinham ido embora, pensando que eu estava indo atrás deles.Quando chegaram em casa sentiram – se pela minha falta.Enquanto isto, eu demorei por demais e acabei ficando sozinha na floresta e foi ai que me dei conta que estava perdida e não conseguia achar o caminho de volta e já era uma 5 horas da tarde, começou a chover e, eu fiquei apavorada,corria de um lado para outro chorando e gritando por meus irmãos por muitas vezes.O pior de tudo isso, foi eu não ter ficado parada no mesmo lugar esperando pelos meus pais e irmãos que viriam buscar – me. Mas não,eu saltei o caminho do lado direito no sentido oposto vindo para casa, e continuei a correr feito uma louca pela floresta adentro. Nesta tarde chovia muito, e não percebia que ia ficando cada vez mais longe de casa. Meus familiares voltaram para me procurar e não conseguiram encontrar – me. Ao notar que eu estava ali, naquela mata escura e sozinha, o frio percorrer pelo meu corpo e o medo a tomar conta de mim. Senti – me frágil, desprotegida e comecei a orar e a pedir a Deus que me protegesse de tudo e qualquer mal.

As horas foram passando e eu continuei andando, e procurando um lugar para me abrigar. Já com frio e com muita fome olhei para um lado e por outro para encontrar um bom local para se proteger, tentei subir em algumas árvores, mas, não consegui ficar nelas de tão ruim que era, eu descia.O Máximo que consegui foram muitos arranhões pelos meus braços e pernas e já desesperada eu vi uma grande árvore com umas raízes enormes e comecei a limpar perto dela para que eu podesse ficar e descansar por ali mesmo e já estava anoitecendo.Então, sentei – me no chão desolada pensando como eu ia fazer a noite toda sentada perto daquela árvore.Eu tinha em minha mãos um saco de pano e um facão castanheiro que era usado para cortar os ouriços da castanha - do - Pará. Começei a chorar, senti-me triste demais para fazer qualquer outra coisa e fiquei ali sobre as folhas caídas das árvores por um bom tempo.

Enquanto isso, em minha casa, ou seja,na casa dos meus pais com certeza minha mãe Almerinda, meus irmãos Antonio, Tereza, Valda e meu pai Leonor estavam desesperados a minha procura. Mas ficou de noite e não puderam continuar, exceto minha mãe que segundo ela disse que não queria voltar, mais continuar e ficou rodando pelos lugares tentando me encontrar.Meu pai disse que não dava mais para continuar, minha mãe continuou insistindo.


Meu corpo ardia por causa dos arranhões, dos mosquitos que zuniam em meus ouvidos e picavam meu corpo fazendo com que coçasse bastante.Pensado como ia ser dormir no chão perto daquela enorme árvore e derepente olhei para cima e vi uma árvore delgada com outras árvores menores ao seu lado e com algum esforço, eu subi no tronco da árvore até sua copa principal e fiquei alí sentada e rasgando um pedaço do saco que tinha comigo e me amarrei junto ao tronco da árvore para que eu não caísse de cima do tronco dentro do rio. Mas o facão eu deixei cair. Fiquei a noite toda com vontade de fazer pipi e não obtive coragem, pois tinha medo de fazer barulho. Neste dia eu estava usando uma saia e uma blusa verde. Tinha os meus cabelos castanhos, longos, lisos, sedosos e muito bonitos. Mas, eu não consegui dormir sequer um instante, só a possibilidade de uma onça aparecer para mim já era motivo suficiente para mante-me bem acordada. Coloquei os meus longos cabelos castanhos sobre o rosto pra se proteger do zunido e das picadas dos mosquitos e apesar do medo, da fome e das dores que sentia por todo meu corpo e dentro do estômago por ter chorado muito eu fiquei quietinha até o dia amanhecer.



Durante toda quase toda à noite meu pai e minha mãe e meus irmãos procuram – me sem ter a sorte de encontrar – me. Meu pai voltou e minha mãe Almerinda ficou surpresa por ver o marido deixar de procurar a filha naquele momento,mas ficou até mais tarde na tentativa de me encontrar. Desesperou-se com a possibilidade de ter acontecido algo pior comigo. Chateada com a desistência do marido na noite anterior,ela sai com a filha Teresa a caminho da casa de umas pessoas visinhas que moravam nas proximidades de sua casa.

Já cedo, eu desci do tronco e mais esperançosa de sair dali recomeçei a caminhada de volta. Muito cansada, com o corpo todo arranhado,doído e roupas rasgadas e sentindo-se um pouco fraca por ter ficado sem comer a algum tempo pensei estar tendo alucinações quando começei a ouvir umas vozes bem longe. Ao caminhar um pouco mais e passei a ouvir as vozes cada vez mais nitidamente e percebi que ali estava aminha salvação. Rapidamente corri na direção do que ouvia e viu uma grande clareira à minha frente, avistei umas pessoas conhecidas e suspirou aliviada por aquele momento e gritei por ajuda. Na casa dos conhecidos fui bem tratada por eles que me derão café da manhã e água.

Um pouco tempo depois chegado a casa dos conhecidos, ouvi as vozes de minha mãe e minha irmã Teresa, que tinham chegado a minha procura e tamanha foi a minha alegria que sai da casa direto para o abraço da minha mãe e irmã. Chorei copiosamente, mas fui consolada por mãe que dizia - me: “Chora não minha filha!”.

Passado todo o drama do reencontro, eu, minha mãe e irmã voltamos pra casa e o pai resolveram a festejar a minha volta com uma grande festa, onde a carne a ser assada era a dos inúmeros catitus que os homens tinha matado quando estava a minha procura e os recolheram no caminho de volta pra casa.

Algum tempo depois desse episódio, eu mudei da roça para morar na cidade de Abel Figueiredo-PA em busca dos meus sonhos que era o de estudar e queria também ser freira e fui morar com as minhas amigas freiras americanas Doroti e Rebecca e anos mais tarde eu me mudei pra Marabá para continuar com os meus estudos e por este motivo a minha mãe e irmãos se mudaram para Marabá para ficar comigo, onde com exceção do meu pai Leonor, do meu irmão Antônio que continuaram na roça...






1 comentários:

Maria do Carmo Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.